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Odair Bruzos No Ar!OS PROGRAMAS AO VIVO ESTÃO SUSPENSOS. Leia, abaixo, alguns textos meus, publicados no Imprensa Livre e no Ria:Mãe tem cada uma... Minha Mãe, além de Mãe, era muitas outras coisas. Tinha sido filha, uma ótima filha. Irmã foi sete vezes, ativa, ouvinte, ombro amigo, mãos e pés presentes. Trabalhadora ela era. E começou aos quatorze anos. Na roça, na fábrica, no escritório, em casa, sempre trabalhou muito. Mulher muito bonita era, vaidosa, um charme, meu Pai que o diga. Corinthiana fanaticamente fanática ela era. Só eu e minha filha mais velha não herdamos isso dela. Cozinheira era de mão cheia e de prato que logo se esvaziava de tão gostoso. Amiga era de verdade, mas de verdade, mesmo, verdadeiramente verdadeira. A quantidade não a impressionava, mas a qualidade... Minha Mãe, além de minha Mãe, também era Mãe da minha Irmã. E Avó de meus filhos. Era até sogra da minha mulher, mas a tratava como se filha fosse. Eu sempre estava errado, minha mulher estava com a razão, assim minha Mãe decidia. Adorava uma brincadeira. Era um exagero de humildade. Minha Mãe, além de Mãe, era muitas outras coisas. Mas uma coisa ela não era, não foi, não é e nunca será. Ela nunca foi, não é e nunca será uma pessoa morta. Eu sei que no ano passado ela foi morar no Céu, mas morta ela não era, não foi, não é e nunca será. Em cada respiração minha, em cada piscar de minha irmã, no olhar do meu pai, em todo sorriso de meus filhos, no beijo de minha mulher, na lembrança de suas irmãs e amigas, minha Mãe está viva, muito viva. Ela está tão viva, e continua tão brincalhona, que às vezes eu sinto uma estranha e inexplicável vontade de festejar gol do Corinthians. Ela continua tão humilde, que deve estar, bem agora, dando bronca por eu ter escrito sobre ela e não sobre a Carmen. Mãe, eu tive e tenho a melhor Mãe do Mundo! Carmen, que coincidência: nossos filhos também tiveram e têm essa mesma sorte! Que Música Linda!
A cerimônia de casamento é, ao mesmo tempo, a mais verdadeira e a mais falsa circunstância da Vida. Nada é mais verdadeiro do que ela, quando representa a exteriorização festiva da União de dois seres, União que não soma metades, mas sim unidades plenas, que buscam – conscientemente – transformar-se numa Unidade mais plenamente profunda, ainda. Quando, porém, o casamento consiste na reunião de duas metades, cada uma buscando sugar a outra, sua cerimônia não passa de um desfile hipócrita de roupas e elogios pouco usados, de sorrisos e abraços vazios e já gastos. O triste é que, na grande maioria das vezes, os casamentos são do segundo tipo: vazios, frios, hipócritas, feitos por mero ajuste de conveniências sentimentais, reprodutivas, financeiras ou existenciais, não atingindo a essência de cada um dos nubentes. Assim é a Vida em geral. Ela pode ser (e é) o maior espetáculo que existe, um eterno jorrar de deslumbramento amoroso. Quase sempre, porém, ela é vivida de maneira hipócrita, inconsciente, passiva. Quase todas as pessoas, aliás, nem vivem: são vividas. Em vez de conduzirem as rédeas de suas existências, como amazonas sobre briosos corcéis mansos e selvagens, apenas são levadas pelos rumos traçados pelos tristes pangarés que escolheram. Sim, a verdadeira Vida é mansa e selvagem: é mansa, ao aconchegar os corações dos quais jorra o Amor que aceita e festeja o que verdadeiramente é; mas selvagem, quando tentamos moldá-la ao nosso mentiroso e pretensioso ego. A Humanidade faz de conta que vive. Tudo é mentira, tudo é falsidade. Muitos ficam uma ou duas horas por semana, em templos, mostrando para os outros que acreditam em Deus, em Amor, em Perdão. Em todas as outras horas de todos os dias, porém, buscam unicamente a satisfação de seus desejos, mesmo que, para isso, seja necessário massacrar os outros, lançando mão de toda a maldade, sem traço de perdão, sem gota de compaixão. Nossos olhares são mecânicos, nossos sorrisos são nervosos, nossas risadas são tão falsas, que se tornam caricaturais. Nosso toque é titubeante e frio, ou – para disfarçar – artificialmente forte. Muitas pessoas ensinam e aprendem técnicas para falar com os outros, para cumprimentar, para escolher gestos e posturas mais convenientes a esta ou àquela situação. Como frias máquinas, saímos pelo Mundo, dizendo: “Estou maravilhosamente bem!”; “Que bom que você veio!; “Colaborador Antônio, compareça à gerência”; “Como você está bem!”. Somos tristes e patéticas máquinas. Mas podemos, a todo segundo, mergulhar na Verdade, no Agora...plenamente. É tão fácil... Basta sentir que você é mais do que eterno: é a Eternidade. Que tudo existe por sua causa. Que permanentemente a Natureza toca uma Música celestial em sua homenagem. Está ouvindo? Está sentindo? 100 Palavras, edição de 10/01/2009 Conheço uma pessoa com dinheiro suficiente para viver muito bem, sem preocupações materiais. Mas vive num inferno. Conheço outra pessoa que, embora tenha finanças e emprego modestos, poderia levar sua vida de maneira normal. Vive, porém, num inferno, odiando seu trabalho. Ambos vivem no inferno, e não por problemas de saúde. Reclamam de tudo, de todos. Por onde passam, deixam seu rastro de amargor. Exalam um ressentimento contra algo que nem mesmo eles devem conseguir definir. É um ressentimento contra a Existência em si... O inferno é um prato a la carte: cada um pede o seu. O Céu, também. © Odair Bruzos |
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